Filhos adultos que exploram financeiramente os pais idosos. O que fazer?

Segundo o estatuto do idoso, os filhos têm a obrigação de amparar materialmente e psicologicamente os pais na velhice. No entanto, a realidade costuma ser bem diferente. Como evitar esses casos?


Os filhos adultos têm o dever de amparar os pais na velhice. Foto: Moneytimes

Quanto a velhice chega, o indivíduo começa a perder gradativamente o dinamismo que tinha antes. A coordenação motora já não é tão boa como na juventude e faltam forças para desempenhar várias tarefas.


Com o avançar da idade, o organismo da pessoa fica mais fragilizado e dependendo da situação surge a incapacidade para o trabalho, que leva o idoso a se aposentar. E é por isso que a aposentadoria existe, para suprir as necessidades básicas como higiene, saúde, alimentação e moradia e lazer do indivíduo durante a velhice, depois de longos anos trabalhando e contribuindo para a previdência social.


Algumas pessoas sonham com a aposentadoria, período em que os filhos já são adultos e têm suas próprias responsabilidades, família, emprego e casa própria. Entretanto, toda regra tem sua exceção e em alguns casos as exceções acabam virando regra: é cada vez mais comum encontrar filhos adultos que ainda dependem financeiramente dos pais idosos.


O correto seria que os filhos cuidassem de seus pais idosos, amparando-os materialmente e psicologicamente. Na terceira idade os gastos costumam ser maiores porque as limitações físicas enfrentadas pelo idoso requerem cuidados especiais e quase sempre os medicamentos são bem caros. O gasto com a saúde pode comprometer toda a aposentadoria do idoso.

Segundo o artigo 229 da Constituição Federal Brasileira, “os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.” Mas infelizmente, a realidade costuma ser bem diferente.


Hoje em dia o que mais vemos são idosos que se vêem na obrigação de voltar ao mercado de trabalho porque o dinheiro da aposentadoria é insuficiente para manter filhos e netos; é comum ficarmos sabendo de idosos que passam por dificuldades financeiras para prover o sustento da família constituída por seus filhos ou para custear a escola ou curso superior dos netos; é cada vez mais comum encontrar idosos ativos no mercado de trabalho que possuem filhos há anos desempregados.


Mas o que fazer quando os filhos adultos exploram financeiramente os pais idosos e como evitar essa situação?


1) Converse com os filhos ainda na juventude:


Quando os filhos/netos entrarem no ensino médio, tenha uma conversa séria com eles. Explique a eles sobre a importância de ingressarem num curso superior e de arrumarem um emprego para custearem seus estudos e necessidades de vestuário e lazer.


Explique sobre a importância da independência financeira e comece a monitorar os gastos do adolescente. Se ele ganha mesada, diga que ele não vai poder gastar mais do que ganha; se não ganha mesada, estipule um valor mensal para que as necessidades básicas dele sejam supridas por você.


2) Desde a adolescência, eduque financeiramente seu filho:


Não tem como educar financeiramente um filho se ele fica alheio às despesas da casa. Quando for separar as contas mensais de água, luz, esgoto, escola, telefone, internet, IPTU e tantas outras para pagamento, chame-o para participar e opinar sobre como vocês farão para quitar as contas.


Essa é uma ótima maneira de educar financeiramente os mais jovens, pois eles saberão o quão difícil é manter as contas da casa em dia.


3) Estabeleça prazos:


Alguns pais preferem que os filhos comecem a trabalhar para custear a faculdade; outros, preferem que os filhos se graduem para que consigam alcançar melhores salários no mercado de trabalho.


De uma forma ou de outra, é imprescindível que um prazo para que o filho adulto arrume um emprego seja estabelecido. Depois de conquistado o primeiro emprego, é necessário que os pais idosos determinem outro prazo para que o filho saia de casa (compre ou alugue uma casa).


Essas medidas evitam que o filho viva permanentemente às custas dos pais idosos e promovem autonomia e crescimento pessoal para o indivíduo.


4) Ofereça ajuda temporária:


Contratempos existem, é verdade. Por muitas vezes os pais idosos precisam amparar financeiramente os filhos adultos que passaram pelo desemprego ou divórcio.


No entanto, mostrar aos filhos que essa é uma condição temporária é um dever dos pais idosos: ao que passou por um processo de divórcio, esteja ao lado dele até que o mesmo se restabeleça e seja capaz de enfrentar sozinho a sua nova realidade. Mas fique atento: o prazo para que isso aconteça não pode ser muito grande, para ele não ficar acomodado.


Ao que ficou desempregado, estimule-o diariamente a arrumar uma nova ocupação. Não seja conivente com a situação dele nem pague suas contas. Procurem juntos por alternativas para que ele possa gerar recursos financeiros para se sustentar, para que não se torne um filho aproveitador simplesmente porque não conseguiu uma recolocação no mercado de trabalho na área em que atuava. Explorem juntos novas possibilidades!


5) Não se sinta responsável pelos netos:


A obrigação de sustentar os filhos quando pequenos é dos pais, não dos avós. Mas alguns filhos espertinhos se valem do amor que os idosos sentem pelos seus netos para explorá-los financeiramente. Há casos de idosos que negligenciam cuidados com a própria saúde para ver os netos felizes e formados. Errado!


A menos que os filhos em idade adulta estejam doentes ou tenham sido declarados incapazes de cuidar dos próprios filhos, prover a necessidade dos menores é uma tarefa deles, não dos avós da criança. Portanto, se você é avô/avó e está passando por essa situação, transmita de agora por diante essa responsabilidade para seus filhos.


# Situações atípicas:


  • Princípio da reciprocidade: Se você abandonou o seu filho quando pequeno, encontrará um pouco de dificuldade de requerer que ele cuide de você na velhice. Isso porque o código civil e o direito da família estabelecem o princípio da reciprocidade, de acordo com o artigo 229 da Constituição Federal, que diz: “os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.”

Vários são os pais que não dão assistência material e afetiva para seus filhos quando pequenos e quando se tornam velhos aparecem pedindo auxílio financeiro aos filhos que abandonaram. Em alguns casos, é travada uma batalha judicial para que o idoso receba do filho que foi abandonado por ele alguma ajuda financeira, mas geralmente, sem sucesso.


O artigo 1.638 do código civil declara que: "perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:

I - castigar imoderadamente o filho;

II - deixar o filho em abandono;

III - praticar atos contrários à moral e os bons costumes

IV - incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente.

V - entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. (...) "


  • Filhos adultos incapazes: Quando os filhos adultos são impedidos de trabalhar por motivo de deficiência física ou doença, é concedido a eles ou ao seu tutor legal (em caso de incapacidade mental) um benefício social para que possam custear suas necessidades básicas. A incapacidade laboral não é motivo para que filhos adultos explorem financeiramente os pais idosos.


  • A obrigação de cuidar dos pais idosos é solidária entre irmãos: No caso de os pais possuírem mais de um filho, é de responsabilidade de ambos amparar os pais na velhice.



E você, conhece algum caso de filho adulto que explore financeiramente os pais idosos? Conta pra gente!

2,785 visualizações